O artigo, publicado no ano
de 2014 na revista Psicologia & Sociedade, transcorre por diversos pontos
históricos e atuais da hanseníase com o objetivo de identificar os impactos
psicológicos provocados no paciente portador dessa doença após o diagnóstico. É
evidente que, apesar das desmistificações e mudanças no olhar relativos a essa
enfermidade ao longo dos anos, ainda existe uma marca de preconceito deixada
por ela, que até o ano de 1995 era conhecida no Brasil através do termo
“lepra”. Uma das questões claramente descrita logo no início da publicação é a
associação desse preconceito, herdado ainda da Idade Média, com a falta de
informação sobre o assunto. Através de um grupo de cinco pessoas (com faixa
etária entre 36 e 70 anos), é possível compreender os sentimentos vivenciados
por aqueles que se descobrem hanseniano em determinada fase da sua vida. Medo,
vergonha, exclusão social, rejeição e raiva fazem parte do cotidiano dos
portadores, que sofrem discriminação notória não somente pela sociedade, mas
até mesmo dentro da sua própria casa. No entanto, a pesquisa realizada no
Centro de Referência em Doenças Endêmicas e Programas Especiais Dr. Alexandre
Castelo Branco (CREDEN-PES) da Secretaria Municipal de Saúde de Governador
Valadares/MG, mostra a importância dos profissionais de saúde durante todo esse
processo: desde o diagnóstico até o final do tratamento, que dura em torno de 6
meses. A equipe envolvida no atendimento clínico, de fundamental importância
para o sucesso do tratamento dessas pessoas, envolve médicos dermatologistas,
enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, dentre outros especialistas que devem
estar engajados no trabalho voltado não somente para curar, esclarecer dúvidas
e informar sobre a doença, mas de reinserção desses pacientes à vida normal.
Para melhor entender as dificuldades psicossociais que envolvem esse grupo
acometido pela doença, a pesquisa voltou à sua atenção para o acolhimento, as
informações transmitidas, a reação ao receber o diagnóstico e o cotidiano dos
portadores, assim como suas relações com os indivíduos – fatores determinantes
para compreender as diferentes situações em que cada um se coloca diante desse
problema. Também é fácil concluir diante das citações que quanto melhor for o
relacionamento da pessoa com os outros e com si mesmo, melhor será o processo
de aceitação e convivência com o tratamento. Em muitos pontos citados é
possível perceber o auto preconceito gerado dentro de cada um, quando há a negação
até mesmo para a família ou não se aceita doente para dar continuidade aos
cuidados que devem ser levados a sério. A postura do paciente diante dessa
perspectiva, aliado à conduta dos profissionais perante ele, é o que irá
trilhar o caminho que será seguido pelo que se descobre hanseniano. Já está
mais do que certo que lidar com os estigmas de uma doença milenar, que tem sua
história de preconceito trazida pela bíblia, é algo difícil de mudar. No
entanto, também fica claro que é possível minimizar os impactos gerados por
esse diagnóstico a fim de oferecer uma melhor qualidade de vida e saúde mental
aos seus pacientes. Quanto mais informações e acolhimento estiverem disponíveis
em torno dos que forem diagnosticados com Hanseníase, melhor será a forma de
aceitação e, consequentemente, a visão diante daquele quadro que, de início e
por falta de conhecimento, parece tão difícil de ser enfrentado.
- Link do Artigo:
Muito boa essa resenha, apesar de tanta discriminação e isolamento dessas pessoas. O impacto psicológico que essa doença trás é muito maior do que a doença em si. Parabéns pelo Blog, gostei!!!
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